O dinheiro escondido no CNIS: Erros comuns que podem prejudicar o benefício – Parte 1

O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é, sem dúvida, o documento mais importante para quem planeja se aposentar ou solicitar qualquer benefício no INSS. Ele é o espelho da sua vida laboral. O grande problema é que esse espelho costuma ser bastante embaçado.

A boa notícia é que a maior parte dos erros presentes no CNIS segue um padrão previsível e quase sempre deixa rastros claros nos chamados indicadores. Se você aprender a identificar esses alarmes, conseguirá fazer as correções necessárias a tempo. E o melhor: isso impacta diretamente no bolso, aumentando o valor final do seu benefício.

Nesta primeira parte, vamos analisar dois dos erros mais comuns e como resolvê-los.





Vínculo Sem Remuneração

Este é um clássico que costuma passar despercebido por muitos segurados até o momento de dar entrada na aposentadoria.





Como Identificar

Ao analisar o seu extrato do CNIS, você perceberá que o contrato de trabalho aparece listado, mas os campos destinados aos salários de contribuição estão em branco ou zerados em determinadas competências (meses).





O Impacto no Seu Bolso

  • Derruba a média salarial: Quando o INSS calcula a sua Renda Mensal Inicial (RMI), a ausência desses valores pode fazer com que a média dos seus salários caia drasticamente, ou que esses períodos simplesmente não sejam computados como deveriam;
  • Prejudica a carência: A carência é o tempo mínimo de contribuições mensais que você precisa ter para acessar um benefício. Sem os valores registrados, o sistema pode não contabilizar esses meses para esse fim.




Como resolver

Para provar ao INSS que você de fato trabalhou e recebeu por aqueles meses, você precisará apresentar documentos da época. Junte o máximo que puder de itens desta lista:

  • Holerites ou contracheques da época;
  • Carteira de Trabalho (CTPS) original e legível ou a ficha de registro de empregados;
  • Extrato analítico do FGTS, a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) ou o TRCT (Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho);
  • Guias de GFIP ou registros do eSocial.




Contribuições Não Reconhecidas Como Contribuinte Individual

Quem trabalha por conta própria ou presta serviços como autônomo sabe o desafio que é manter a burocracia em dia. E o INSS frequentemente falha em processar esses recolhimentos de forma automática.





Como Identificar

Você sabe que pagou as guias de recolhimento, mas ao olhar o CNIS, a Guia da Previdência Social (GPS) paga simplesmente não aparece no sistema. Em outros casos, ela até aparece, mas com um valor menor do que o efetivamente recolhido.





O Impacto no Seu Bolso

  • Perda de tempo de contribuição e carência: Cada mês não reconhecido é um mês a mais que você terá que trabalhar no futuro para alcançar os requisitos da aposentadoria.
  • Redução da RMI: Menos contribuições registradas ou contribuições registradas por valores menores do que o real resultam em um cálculo de benefício rebaixado.




Como Resolver

O segredo aqui é o preciosismo com os comprovantes físicos e digitais. Para corrigir essa lacuna, você deve apresentar:

  • A guia GPS física devidamente quitada acompanhada do comprovante bancário de pagamento (comprovantes de agendamento não servem);
  • O extrato de recolhimentos emitido pelo próprio banco, caso tenha perdido as guias;
  • A conferência minuciosa do NIT/PIS utilizado no pagamento, para garantir que os valores não foram parar em um cadastro secundário;
  • Histórico de pagamentos ou microfichas de recolhimentos antigos, caso estejamos falando de períodos muito distantes.




Fique atento aos detalhes do seu CNIS, pois cada linha em branco pode representar dinheiro que você está deixando na mesa.

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